O sol já começava a esquentar. Em campo, os vizinhos Guiné e Mali se enfrentariam

Domingo de sol. No bairro do Glicério, região central de S. Paulo, o movimento nas ruas é intenso. Haitianos, africanos, bolivianos, brasileiros e chilenos se cruzam na Arquidiocese de São Paulo. Naquele dia de sol tinha festa. Era a vez dos bolivianos. Semana passada foram os chilenos, nos explicou o padre com sotaque castelhano.

Na rua de trás uma espécie de feira de trocas enchia a calçada. Pessoas disputavam espaço na calçada e evitavam os carros que passavam apressados a poucos metros. Ainda são 9 da manhã. No campo do Glicério 4 times jogam futebol. Enquanto dois jogam, dois esperam e os jogadores, alguns barrigudos, dão palpites por de trás da cerca de arame.

Em um campo vermelho de terra batida o bate papo apenas começava. Em uma conversa que misturava francês com dialetos e algumas palavras em português os atletas tentavam organizar o início do amistoso. O sol já começava a esquentar. Em campo, os vizinhos Guiné e Mali se enfrentariam. Vestidos de amarelo, vermelho, verde, azul e branco queriam logo o início do jogo.

Na Guiné se fala francês e fula. Ela é banhada pelo Oceano Atlântico. Sua capital é Conacri. No Mali também se fala também francês e outros dialetos. A capital é Bamako. Ambos países ficam na África Ocidental. O juiz apita o início do jogo e com menos de 10 minutos de bola rolando o time do Mali abre o placar. Com um time muito mais forte, o primeiro tempo é dominado por eles. Depois de gritos e risadas e mais de uma hora de jogo o juiz apita o final. Resultado: Mali 3 x 1 Guiné. Ambos times exaustos pelo sol forte.

EMI_0712 EMI_0758 EMI_0766 EMI_0770 EMI_0776 EMI_0780 EMI_0784 EMI_0801 EMI_0807 EMI_0811 EMI_0815 EMI_0823 EMI_0841

“Amo a liberdade que a estrada me dá”

Antes de seus dias começarem os estradeiros ‘puxadores’ de carga Brasil à fora fazem o sinal da cruz. Pedem bença a Deus e para o católico São Cristóvão. Protetor dos viajantes, ele é conhecido como o santo protetor dos caminhoneiros.

Dia 25 de julho é uma das 3 datas em que se comemora o dia do caminhoneiro, profissional que passa quase 24 horas do seu dia na sua boléia. Ali dorme, trabalha, assiste televisão, fala com a família e, algumas vezes, vive amores intensos de uma noite.

Algumas boléias são arrumadas, outras com cara de homem solteiro. Algumas tem televisão, outras nem ar-condicionado. Abaixo, uma série de fotos que mostram um pouco desse cenários e seus protagonistas.

“Tenho um serviço para vocês. Na próxima parada vão arrumar minha lona. Arrancaram ela”, brincou Eduardo Rafael dentro da sua boléia ‘puxando’ uma carga de mais de 50 toneladas de soja BR163 à fora em um caminhão 9 eixos. “Vocês me ultrapassaram tão rápido que a lona da minha carreta foi levada”.

Com seu chapéu de boiadeiro Eder Barbieri sente falta da pequena Débora de apenas 6 meses de idade. Saiu de Matupá e, assim como muitos, leva soja para o grande porto de Miritituba na beira do rio Tapajós, no Pará. Sozinho, passa quase 24 horas por dia na boléia do caminhão. Mora e trabalha ali. Além de Débora,

Com seu chapéu de boiadeiro Eder Barbieri sente falta da pequena Débora de apenas 6 meses de idade. Saiu de Matupá e, assim como muitos, leva soja para o grande porto de Miritituba na beira do rio Tapajós, no Pará. Sozinho, passa quase 24 horas por dia na boléia do caminhão. Mora e trabalha ali. Além de Débora, “sinto falta da família”.

Marciano Pizinato tem sotaque forte de sulista. Se orgulha ao contar sobre suas aventuras quando mais jovem na BR163.

Marciano Pizinato tem sotaque forte de sulista. Se orgulha ao contar sobre suas aventuras quando mais jovem na BR163. “Já cheguei a alugar uma moto com um companheiro para entrar mata à dentro e ver os madeireiros derrubarem árvores. Depois disso puxei muita madeira”, conta orgulhoso. Ao falar da família o tom da conversa muda. “Meus pais estão doentes. Quando eles morrerem vou escrever no meu caminhão: ‘saudades eternas'”.

Filho do Nortão do Mato Grosso, Daniel Menegucci tem 30 anos. Funcionário de uma transportadora, dirige um Scania novinho. Voltando do porto de Miritituba, à beira do Rio Tapajós, no Pará, ele desce a BR163 sentido Sinop para carregar mais uma vez com soja. Quando perguntado sobre a vida na estrada, pára, pensa e diz:

Filho do Nortão do Mato Grosso, Daniel Menegucci tem 30 anos. Funcionário de uma transportadora, dirige um Scania novinho. Voltando do porto de Miritituba, à beira do Rio Tapajós, no Pará, ele desce a BR163 sentido Sinop para carregar mais uma vez com soja. Quando perguntado sobre a vida na estrada, pára, pensa e diz: ” Tenho saudades da família”.

Roberto Ferreira de Souza tem 33 anos e é de Ariquemes, Rondônia. Regiane Silva Sales tem 21 e nasceu em Miritituba, terra que ganhará 3 grandes portos à beira do Rio Tapajós, no Pará. Ele trabalha para uma transportadora. Ela o acompanha. Ele acabou de descarregar e tem seu caminhão mais leve do que nunca. Ele pede para que Deus os acompanhe. Ela, já sente saudades da família. Logo voltarão para as águas do Tapajós.

Roberto Ferreira de Souza tem 33 anos e é de Ariquemes, Rondônia. Regiane Silva Sales tem 21 e nasceu em Miritituba, terra que ganhará 3 grandes portos à beira do Rio Tapajós, no Pará. Ele trabalha para uma transportadora. Ela o acompanha. Ele acabou de descarregar e tem seu caminhão mais leve do que nunca. Ele pede para que Deus os acompanhe. Ela, já sente saudades da família. Logo voltarão para as águas do Tapajós.

Seu 9 eixos já tinha perdido mais de 500 quilos de soja estrada afora depois que uma das dobradiças da carroceria se quebrou e ele não percebeu.

Seu 9 eixos já tinha perdido mais de 500 quilos de soja estrada afora depois que uma das dobradiças da carroceria se quebrou e ele não percebeu. “Sorte que um companheiro passou e me avisou. Não dava para ver do retrovisor. Por causa dos buracos da BR163 sua viagem atrasou em pelo menos um dia. “Vou ter que fazer um B.O. da carga, senão o seguro não paga. Vai me atrasar a vida”, conta bem humorado. Vladimir Alves Martins, que “ama a liberdade que a estrada lhe dá”, sem dúvidas já viveu muitos outros incidentes. Puxando carga 25 dos seus 50 anos de vida, ele pintou na carroceria do seu atual caminhão: “Não era para ser assim”.

Amarildo Alves de Assis tocava sua viola na beira da BR163 no sul do estado do Pará. Tião Carreiro e Pardinho faziam parte do seu reportório. Carregado com 50 toneladas de soja, o homem de 54 anos subia devagar a esburacada estrada sentido ao porto de Miritituba, na beira do Rio Tapajós.

Amarildo Alves de Assis tocava sua viola na beira da BR163 no sul do estado do Pará. Tião Carreiro e Pardinho faziam parte do seu reportório. Carregado com 50 toneladas de soja, o homem de 54 anos subia devagar a esburacada estrada sentido ao porto de Miritituba, na beira do Rio Tapajós. “Esperamos que o governo olhe mais para nossas rodovias”.

 Carlos Alberto, de 57 anos, já voltava para São Paulo depois de descarregar lã de vidro em Santarém. Em um caminhão antigo, sem ar-condicionado, sem direção hidráulica, ele sofre com o calor do norte do país. Voltando com seu baú vazio, ele ainda tinha ao menos 5 dias de estrada pela frente. Dormindo no mesmo banco em que senta para dirigir, sua pele vermelha combinava com a lataria do velho companheiro de estrada.

Carlos Alberto, de 57 anos, já voltava para São Paulo depois de descarregar lã de vidro em Santarém. Em um caminhão antigo, sem ar-condicionado, sem direção hidráulica, ele sofre com o calor do norte do país. Voltando com seu baú vazio, ele ainda tinha ao menos 5 dias de estrada pela frente. Dormindo no mesmo banco em que senta para dirigir, sua pele vermelha combinava com a lataria do velho companheiro de estrada.

 Rubens Borges de Oliveira já passou mais tempo atrás do volante de um caminhão do que em qualquer outro lugar. Aparentando ser mais jovem do que seus 45 anos, conta que já completou 23 de asfalto. Nas costas, soja. Subindo de Sinop ele acredita que

Rubens Borges de Oliveira já passou mais tempo atrás do volante de um caminhão do que em qualquer outro lugar. Aparentando ser mais jovem do que seus 45 anos, conta que já completou 23 de asfalto. Nas costas, soja. Subindo de Sinop ele acredita que “Deus é tudo”. Deitado em uma rede em um posto de apoio, mantem seu caminhão limpo e, ao som de ‘Calcinha Suada’ se estica em uma rede debaixo de uma sombra.

De cabelos lambuzados de gel, Ilário de Oliveira, de 45 anos, não tira o sorriso do rosto ao falar sobre seu ganha pão e de sua mulher. Com quase 10 anos de estrada nas costas, sempre trabalhou bem arrumado. Vestido de camisa de manga comprida salmão e calça social conta:

De cabelos lambuzados de gel, Ilário de Oliveira, de 45 anos, não tira o sorriso do rosto ao falar sobre seu ganha pão e de sua mulher. Com quase 10 anos de estrada nas costas, sempre trabalhou bem arrumado. Vestido de camisa de manga comprida salmão e calça social conta: “Minha esposa me acompanha, sou feliz nesse trabalho. Amo minha profissão”. Sempre com o chimarrão em mãos, Terezinha Vieira de Oliveira, tem receio do tempo. “Por aqui tem muita chuva e muito atoleiro. Me preocupo”.

Ivone Aparecida do Nascimento ainda tem pouco tempo de estrada, comparado com seu parceiro, Aparecido João do Nascimento. Ela 'puxa' carga ao lado dele por apenas 12 anos. Seu Aparecido, viveu 37 dos seus 56 anos na estrada. Carregados de soja, eles vinham de Ibipora, no Paraná. Assim como muitos, eles pedem proteção aos céus quando viajam.

Ivone Aparecida do Nascimento ainda tem pouco tempo de estrada, comparado com seu parceiro, Aparecido João do Nascimento. Ela ‘puxa’ carga ao lado dele por apenas 12 anos. Seu Aparecido, viveu 37 dos seus 56 anos na estrada. Carregados de soja, eles vinham de Ibipora, no Paraná. Assim como muitos, eles pedem proteção aos céus quando viajam. “Quando você pegar estrada destino a Santarém (PA), ore a Deus para não chover”, explica ela. Aparecido, mais tímido, comenta em voz baixa. “Quando penso em vir para Satarém me da até frio no coração, mas quando lembro das belezas do rio Tapajós e o Amazonas, consigo forças para enfrentar a BR163.

Josivaldo Berreza da Silva é pai separado. Nascido em São Bernardo do Campo, SP, ele estava em Rio Verde, Goias.  Cegonheiro há 6 anos 'puxa' automóveis. Nas costas, carregava 11 volks novinhos. No coração o sentimento de muitos viajantes.

Josivaldo Berreza da Silva é pai separado. Nascido em São Bernardo do Campo, SP, ele estava em Rio Verde, Goias. Cegonheiro há 6 anos ‘puxa’ automóveis. Nas costas, carregava 11 volks novinhos. No coração o sentimento de muitos viajantes. “Amo pegar a estrada”. Na cabeça o espírito aventureiro. “Eu gosto mesmo de esporte, de zueira e mulher”.

 Dono de uma transportadora com dez caminhões, Aroldo Tomé, assim como a maioria dos seus companheiros na região do Mato Grosso, 'puxa' soja nessa época do ano. Estamos em abril. Paranaense de Cascavel, ele tem 6 anos de estrada e sempre que pega a BR deixa a mulher em casa e viaja sozinho. Para ele,

Dono de uma transportadora com dez caminhões, Aroldo Tomé, assim como a maioria dos seus companheiros na região do Mato Grosso, ‘puxa’ soja nessa época do ano. Estamos em abril. Paranaense de Cascavel, ele tem 6 anos de estrada e sempre que pega a BR deixa a mulher em casa e viaja sozinho. Para ele, “sem caminhão o Brasil para”.

Ivan Forato ainda é jovem. Ele tem 25 anos e, deles, 4 passou na estrada. Nascido em Lucas do Rio Verde, Mato Grosso, sua viagem era curta. Iria até Rondonópolis mais ao sul do estado. Um dos grandes problemas levantados por ele foi a falta de responsabilidade por parte dos companheiros.

Ivan Forato ainda é jovem. Ele tem 25 anos e, deles, 4 passou na estrada. Nascido em Lucas do Rio Verde, Mato Grosso, sua viagem era curta. Iria até Rondonópolis mais ao sul do estado. Um dos grandes problemas levantados por ele foi a falta de responsabilidade por parte dos companheiros. “Precisamos melhorar as nossas próprias condições de trabalho. Dirigindo com mais segurança e menos imprudência, vamos diminuir os acidentes nas estradas”.

Não acreditaram. Mas quem acreditaria?

Logo na entrada da Polícia Federal, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, observei um jovem negro vestindo uma camiseta verde e vermelha com ar de desesperado. Pensei que ele pudesse ser parente de alguém preso a alguns metros de onde estavamos.

Despretensioso perguntei de qual time se tratava ela, colorida. Não era de time nenhum. Observei nele um sotaque carregado ao tentar me responder. Falava francês. Era de Conacri, capital da Guiné, um dos países recentemente devastados pelo vírus do ebola. Ele não perdeu ninguém da família.

Abdul, me explicou que seu irmão, ‘Le Petit’, como ele o chama, estava preso no Conector da Polícia Federal há quatro dias e que já tinha precisado de assistência médica. “Ele tem visto brasileiro e reserva em um hotel”. Uma diária em um dormitório nos fundos da zona leste da cidade até ir para Cascavel, no Paraná

*                          *                          *                          *

Enrolando em uma manta para se proteger do frio, ele fica próximo da janela. Ali, alguns livros em francês. Zidane, craque da Copa de 1998 e 2006, dominava uma bola de futebol na capa dura de um deles. A vista da janela é limitada. Tem como paisagem um canto do aeroporto. Só um entre os 14 aqui dentro não é negro.

 Thierno Madjou Bah.

Le Petit

Ao fundo um banheiro feminino e um masculino. Entre eles um bebedouro prateado. Dentro, pendurado nas divisórias de pedra, roupas secavam. O cheiro de suor é quebrado pelo produto de limpeza.

Na frente, perto da porta, alguém tenta pronunciar os nomes árabes dos presos com um marmitex em uma das mãos e uma lista de nome na outra. Pegam, mas não comem. Vem também um suco de caixinha. Para todos é feriado de Ramadã e só se pode comer depois que a luz do dia se vai. Ele são muçulmanos.

Ao lado da porta cobertores coloridos forram o chão. Fotografei ao fingir mandar uma mensagem de texto do celular. Dormem um ao lado do outro, como em um acampamento de adolescentes. Nas cabeceiras, que não existem, agasalhos são usados de travesseiro. Na parede, quase todas as tomadas recarregam aparelhos de celular. O Wi-FI é grátis. Falam com parentes via internet.

*                          *                       *                          *

IMG_0134

Fazendo o caminho inverso daqueles que chegavam do exterior carregados de bagagens, começamos pela esteira de malas, depois passamos pela verificação de passaportes até quase as salas de embarque. Contei mais de cinco placas indicando que estávamos na contramão do fluxo.

A repórter Fabíola Perez, eu, o assessor de imprensa e mais uma delegada. Eles todos com distintivos da PF aparente. Sorridentes e prestativos. Estavam acompanhando jornalistas.

Bloquinho nas mãos e celular no bolso, franzi a testa parecendo sério ao apetar a mão de todos. Caminhamos por 15 minutos até chegarmos em uma sala abafada onde, na porta, funcionários conversavam e mexiam no celular. Era expressamente proibido fotografar lá dentro.

Em um ambiente de piso frio de pedra, todos os olhares voltam para nós. Me senti entrando em um zoológico. O cheiro de suor era forte. O assessor fez um sinal querendo dizer, ‘venham, eles estão aqui. Olhem só’. Meio constrangidos, perguntamos pelo Le Petit. Tínhamos o nome dele completo.

Enrolando em uma manta para se proteger do frio e de cabeça meio baixa ele saiu de perto da janela e chegou próximo de nós. Nos apresentamos. Conversamos. Ele tinha tentado entrar como turista e foi colocado na sala fria. Não acreditaram. Mas quem acreditaria?

Durante nossa conversa, mesmo que rápida, ele foi ganhando confiança. Segurava o tempo todo um algodão contra a veia do braço esquerdo, como se tivesse acabado de tirar sangue.

Fomos interrompidos por um funcionário com um copo descartável de água e uma aspirina. Foram para perto da janela. Ele tomou o remédio. Eu fotografei. Ninguém notou. “Estou com dor de barriga e no coração”, justificou Le Petit.

IMG_0126

Formado em sociologia estagiava no Banque Islamique de Guinée. Depois da epidemia de ebola as coisas ficaram difíceis. Ninguém mais queria ter contato físico com ninguém. Resolveu vir atrás do irmão. “Tenho emprego garantido no Paraná”.

Desde 1997 qualquer imigrante que chegue no Brasil, mesmo que sem documentos, poderá ser acolhido de acordo com a Lei do Refúgio.

 Thierno Madjou Bah.

Le Petit

No começo da conversa ‘Le Petit’ insistia que vinha visitar o irmão. Mais adiante, tive a oportunidade de lhe falar sobre a lei. Ele abriu um sorriso branco que contrastava com sua pele negra. Baixinho, pouco mais de 1,60m, me olhou discretamente de baixo para cima. Senti que ele ganhou esperanças. “Não estou doente”, falou baixo. “Percebi”, respondi.

Combinamos que, na entrevista com o delegado, ele falaria que era refugiado. Que ainda fugia do ebola. Ele sorriu. Topou. Era terça-feira, 23 de junho de 2015. Ele não sabia quando chegaria essa hora. O que estava há mais tempo preso, completava 7 dias. Ele apenas 4.

Fomos conversando para perto da janela e falei para Le Petit e um outro jovem que estava fotografando-os. Ambos concordaram e me ajudaram na discrição. Fotografei-os.

IMG_0147

Alguns minutos depois, eu e Fabíola tivemos que sair da sala. Deu o tempo. Dessa vez fizemos o caminho na mão correta, como qualquer viajante faz. Barreira da PF, DutyFree, esteira de malas, desembarque. Só não tínhamos passaportes nas mãos, nem roupas nas malas.

Exata uma semana depois, ouço um barulho vindo do meu computador. Relutei em abrir. O nome completo de Le Petit piscava na tela. Atendi meio disperso. Estava concentrado em outra coisa. Era terça-feira, dia 30 de junho.

“Estou livre no Brasil. Meu irmão está vindo no aeroporto me buscar”. Me desconcentrei do que estava fazendo. Meus olhos encheram d’água. “Ganhamos”, brincou.

*                          *                          *                          *

Hoje, terça-feira, dia 07 de julho, 22h30. Acabo de receber uma ligação do Le Petit via facebook. Eu tinha acabado de escrever esse texto. Ele me conta que pela primeira vez foi ao centro da cidade e que está feliz em São Paulo.

Amanhã cedo eles tomarão rumos diferentes. Seu irmão, Abdul, que vestia vermelho e verde naquela terça-feira, parte em viagem. De ônibus, junto com um grupo de amigos, ruma sentido Equador.“Ele vai tentar os Estados Unidos”.

Le Petit deverá finalmente ir para Cumbica recuperar sua bagagem que estava detida desde sua chegada.

IMG_0151

GRU